quarta-feira, 31 de março de 2010

SAudades ... de passar por aqui, saudades de liberar as idéias, saudades de abrir o peito, de deixar fluir o que se passa aqui... dentro de mim.
Queria muito apreciar o belo, viver o encantador, me deliciar com o colorido... Todavia, a vida é louca, a máquina não para, o sistema é bruto.

Erlanem Araújo... da cuca para o teclado. rsrsrs Em: 31/03/2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Modo de usar-se.

Modo de usar-se.

- por Martha Medeiros*


“Coitada, foi usada por aquele cafajeste”. Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava num guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.
Não costumo ir atrás desta história de “foi usada”. No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter procuração assinada. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.

Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.

Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição - dane-se se aparecer uma gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista sua saúde.

Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas. Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.

E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou “apenas” 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.

Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.

Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.

* Martha Medeiros é jornalista e colunista do Jornal O Globo

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

" Quando estiveres atormentado, pelos problemas efêmeros desta vida,
respire , pondere, pense...
Vale mais fazer as pazes consigo, que causar problemas aos outros.
Tudo passa. "

Erlanem Araújo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Reflexão, um instante.

Tempo breve, breve tempo.
Complexo é pensar no tempo.
Sentir o tempo, viver o tempo.
Outrora éramos crianças, cheios de vigor, loucos por uma corrida na praia, sempre envolvidos na construção de nossos castelos de areia. Num piscar de olhos, os castelos são desfeitos.
Maturidade, responsabilidade, seriedade!!!
A vida é assim, toma-nos de súbito e envolve-nos nas teias dos compromissos.
Hoje acorrentada à tarefa árdua de realizar, de consumir e de construir, delicio-me com uma breve reflexão: "Para onde estou indo?" Pude então entender que nem mesmo eu sei. Percebi então que estou acelerada, não mais ando, já corro. Tempo para pensar, refletir e ponderar já não existe. "Quase" tudo em mim é gelo, é mármore, é cifra.
Em tempo fui alcançada, fez-me singela, fez-me grata.
Hoje notei o sol, ele brilhou, aqueceu-me, uma flor desabrocha em meu jardim. Acredite, eu notei!
Quanto aos castelos de areia, eles estão lá, quando desfeitos, paro um instante e os reconstruo.
Vida breve, linda vida, resta-nos apenas viver e degustá-la.
Em : 05/11/2009 às 10h15