" Espaço onde exponho um pouco de meu pensar, um pouco de lirismo, um tanto biográfico. rs Quase um diário. "rs Seja bem vindo, entre e aconchegue-se. "
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Corpo dormente Mente ardente.
Madrugada adentro cá estou....
Corpo cansado,mente vibrante.
Tão opostos, lutam entre si.
O corpo quer cama, sono, deleite...
A mente quer indagações, respostas, contestações...
Neste duelo as armas estão as mãos.
caberá ao corpo o aposento?
Se isso houver, a ela restará o lamento.
De outra forma. Arderá o corpo em cansaço?
Assim sendo, a mente ganha espaço.
Da cuca para o teclado *
Julho de 2010.
domingo, 27 de junho de 2010
Um herói.
No Aurélio: Homem extraordinário por seus feitos guerreiros, seu valor ou sua magnanimidade. Paro, reflito e pergunto. Já conheci um? Posso então
concluir que estive com ele, nasci dele. Meu Pai, grande homem.
Lembro-me de seus feitos guerreiros. Criou sete filhos, não apenas os criou dando-lhes alimentação, moradia...estas coisas triviais, básicas que se "tem" que dar aos filhos. O que recebemos dele, foi além. Recebemos um modelo de caráter, hombridade, justiça, retidão, fidelidade a Deus, aos filhos e a esposa.
Falo de um homem simples,que conhecia pouco as letras, que não frequentou os bancos de uma Universidade. Porém, na escola da vida, ele foi Mestre.
Falo de um homem, que trabalhava noites a fio, e que chegava em casa todas as manhãs distribuindo carinho, acordando as filhas e filhos que ainda dormiam, para fazer o culto matinal e ser grato a Deus por tudo.
Falo de um servo fiel que jamais abandonou seu Deus, mesmo diante das maiores dificuldades.
Falo de um Pai que educava com carinho e corrigia com firmeza, sempre apresentando as suas razões. Ele jamais disse não sem apresentar um porquê.
Falo de um homem que não se prestava a ser beneficiado, se isso fosse ilegal, mesmo que ele necessitasse. Era tachado de bobo, porém, mantinha-se firme aos seus princípios sem jamais se deixar corromper.
Falo de um "músico", que conhecia apenas algumas notas musicais, mas que tocava o seu cavaquinho com o coração e encantava.
Falo de um avó que cercava de carinho seus netos e os exibia como sendo troféus.
Alcedir, nosso exemplo de vida. Nosso grande Pai, sua grandeza de alma o tornou herói. Ficou para nós um grande modelo, o prazer de ser filho, e uma saudade que teima em doer. Uma saudade que rasga o peito e a esperança de revê-lo, um dia, quem sabe.
Obs. Apenas uma reflexão sobre Meu Pai. Como dói não tê-lo mais aqui.
Manias
Marque a data do meu aniversário,
Deixe lá na agenda,
Num papel rabiscado...
Descubra que bicho mais me atrai,
Ou com qual dele eu quero parecer.
Sonde... Decifre quais são meus desejos mais intensos,
Minhas manias, minhas queixas, o que gosto de fazer.
Saiba qual a minha preferência,
Se o verão morninho, com gosto de mar, sal, sol, shopinho...
Ou se o inverno, dos agasalhos, do chocolate quente,
Chás, sopas , jogo de baralho e do vinho.
( Confesso que pretendia outra escrita. POrém, este foi o manifesto do meu coração. rsrs )
terça-feira, 22 de junho de 2010
Overdose Futebolística.
Confesso que não compreendo a paixão que certos homens têm por ti. Os hipnotizados paralisam diante de uma partida, olhos fixos na tela, vozes alteradas, muitos palavrões e é claro um copo de cerva na mão. O mundo pode estar acabando, ele vai ter que esperar o intervalo ou o final do jogo. Sair da frente da TV? Nem pensar.
Acabou o Jogo!!! Vamos lá... Depois de todo aquele ritual: vestir a camisa do Time do coração, juntar os amigos, apostar cervejas, xingar aos berros, amaldiçoar a mãe do juiz, tencionar todos os músculos do corpo durante quase duas horas, fazer figa, dar socos no ar e finalmente vibrar com o Gol, quando este acontece, tem-se a sensação de que tudo voltará ao normal. Que nada, o magnetizado sai em busca de canais da TV que apresentam debates sobre a partida, ele necessita ouvir opiniões diversas sobre o jogo que ele assistiu e já tem a sua conclusão. Como se não bastasse no outro dia ele vai até uma banca e compra jornais para se certificar de mais opiniões sobre o jogo, que friso, ele assistiu. Pronto acabou! Mero engano. No trabalho, no trânsito, no barzinho, e em quase todas as conversas, esta partida ainda será discutida por muitos “árbitros” que estiveram lá, apitando o jogo, e é claro, cada um viu o lance de uma forma diferente. Overdose futebolística.
Engana-se aquele que acredita durar apenas 90 minutos uma partida.
Quando o indivíduo não consegue manter o tema em casa, pois a mulher ou filhos não são ligados ou não entendem do riscado. Ele fica inquieto, precisa dar uma volta , ele não agüenta , é necessário sair para comentar a partida, que já acabou. É mais forte que ele.
Só para mostrar que sei um pouquinho sobre o assunto, fica aqui o meu mínimo entender sobre esta paixão Nacional. Tecnicamente sei que o campo é dividido em áreas, pequena e grande área, a grande só pode ser a maior das figuras geométricas desenhadas naquele espaço enorme. Se o jogador for derrubado na área do adversário... Pênalt! Penalidade máxima! Momento que todo mundo adora, tem jogador que até cava o tal tiro livre. O indivíduo fica cara a cara com o goleiro, afasta-se e bate, alguns fazem até uma “paradinha”, motivo de mais discussões. Ufa!
Sei também que há quatro regiões principais dentro do campo que são: goleiro, defesa, meio campo e ataque. Quanto as posições, estas sou até capaz de citá-las: zagueiro, central, cabeça-de-área, meio-armador, meio-lateral, ponta-de-lança, lateral...são nomes que ouso gritarem durante a partida, não tenho a menor intimidade com eles, mas tenho boa memória, sei que existem mas... Onde se localizam dentro do vasto campo... Impossível saber. Rs
Acho tão amigável a tal barreira, aquela que é feita quando há falta, todos unidos na mesma posição prontos para serem alvo de uma bolada, um tiro.
Os jogadores se colocam a disposição para impedir que a bola entre. Cá para nós, eu até acho que a barreira prejudica o goleiro. Afinal como ele vai defender se tem um bando de amiguinhos a sua frente impedindo a sua visão. Todavia, como nada sei sobre futebol. Melhor não dar sugestões. E o escanteio? Este... Não sei mesmo do que se trata. Há no futebol um momento que vejo mágico, é o driblar. Livrar-se do adversário com graça e magnitude, parece um passo de ballet, é lindo. Imagine se eles me escutam falar assim... Passo de ballet.
Vamos ao principal, o ápice de uma partida, afinal “nós” não ficamos paralisados diante da TV ou na Platéia do Maraca por nada, né mesmo? Queremos ver Gols.
Ah o Gol! Momento de extravasar, de soltar o grito preso na garganta, de abraçar quem está ao lado, gente que nunca vimos, mas que esta na mesma sintonia. Este é o apogeu, o mais auto grau de vibração.
Nossa! Eis aí a contradição, iniciei falando deles, “os homens, os paralisados, os magnetizados pelo futebol”, e termino inserida. Começo na terceira pessoa do plural e termino na primeira. Falava Deles, agora de Nós. Rs
Eu me rendo. O Futebol é apaixonante de fato, eu leiga no assunto vejo-me atraída e gosto de ver gols. Imagine quem entende, e é capaz de narrar o jogo do início ao fim.
Futebol. Ah! O Futebol, agora consigo entender o porquê eu e muitas outras ficamos para depois por 90 minutos e um pouquinho mais.
Erlanem Araújo.
Escrito em Abril de 2010
sábado, 24 de abril de 2010
A terapia do agradecer.
Parece tão simples, acordar todos os dias, levantar de nossas camas, tomar café, tomar banho, assistir tv, tirar o carro da garagem, ir ao trabalho, produzir.... Sim, estas coisas são essencias , totalmente essencias, absolutamente necessárias. Porém, consideramos ações comuns, simples, rotineiras, triviais.
Ontem para matar o tempo, se é que este permite ser asassinado, lia uma revista e me deparei com um um belo texto sobre "Gratidão", fiquei tão envolvida com aquela leitura que megulhei literalmente, tentando matar o tempo, ganhei vida. Foi uma experiência fascinante, fui alcançada , isso é bom. Pude então perceber o quanto somos ingratos e insatisfeitos sempre.
Perceba, se não temos um carro, reclamamos do preço alto do taxi, da tarifa 2, dos ônibus lotados... se temos o carro, saltamos a gritar que : Carro é mais uma família para sustentar, certamente você já ouviu esta frase. rs Se estamos empregados, a insatisfação é por não ganharmos bem, por ter que aguentar aquele chefe mal humorado ou porque não é exatamente isso que queremos fazer. Se não estamos empregados... Nossa ! A insatisfação é tão vasta , não cabe a mim tentar redigir.
A realidade é que vivemos um desprazer total, uma grande isnsatisfação. Tal fato cega-nos, passamos então a não valorizar o que de fato é essencial, o que nos é gratuito e que nem notamos. Lembre-se das vezes em que esteve acamado, com uma simples gripe ou uma amigdalite, que te fez parar, não pode levantar-se da cama, não pode sair a noite, comer, trabalhar... Quando paramos , ou melhor quando algo externo ou fora de nosso controle nos força a parar, percebemos a importância do simples . Já me senti assim , muitas vezes, louca para caminhar, ir ao trabalho e até para executar minhas tarefas de "Amélia". Todavia, estava impossibilitada, ou por estar febril, ou por estar com a perna engessada. O fato é que valorizamos quando perdemos.
Faça uma lista das coisas que você considera rotineiras, tais como: assistir tv, usar a net, tomar aquele banho morno, dirigir seu carro, usar o celular, dormir em sua cama, caminhar, correr, falar, ouvir... Agora pense em ficar uma semana sem isso. É no mínimo desconfortável, né mesmo? Agradecer não é só uma atitude bela, agradecer é fundamental. Precisamos agradecer por termos, por sermos e por estarmos.
Pense em alguém que te fez bem, alguém por quem você tem gratidão, vá até ele e se pronuncie, talvez ele não saiba o quanto te ajudou. Observe o que você tem, sinta-se privilegiado, muitas pessoas adorariam estar na sua condição. Valorizemos o simples, o trivial , o rotineiro.
Agradecer, é terapêutico. Quando agradecemos pelo simples nossos olhos são abertos, somos curados de uma doença chamada egoísmo, conseguimos enxergar os privilégios que temos e que alguns não os tem. Quando agradecemos, nos tornamos satisfeitos e recompensados. Tente, com simplicidade, agradeça.
Em : 25 de Fev. de 2010 às 14h Erlanem Araújo.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
" Desabafo."
Sou assim... intempestiva. De súbito me bate uma vontade de escrever, acho que é bem assim com os que falam para si. Tempos nervosos os que estamos vivendo.
Que dor egoista é esta? Que dói em nós, porém , mais ainda nos outros. Falo daqueles que estão sem nada, sem teto, roupas e alimentos, muitos sem a própria vida.
Enchentes no Rio. A cidade Maravilhosa alagou ! Nos últimos dias, nossos olhos acompanharam pela tela da Tv, em tempo integral, as notícias que nos fizeram parar e sofrer. Digo " dor egoista" pelo fato de que alguns sofrem de longe, lamentando, mas não se envolvem. SE você está inserido entre aqueles que arregassaram as mangas e se deram por esta causa. Parabéns! Caso contrário, como na canção "Rosa de Hiroshima" pensem...
"Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas...
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada."
Apenas pensem... e quando chegarem a uma conclusão... ajudem.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Queria muito apreciar o belo, viver o encantador, me deliciar com o colorido... Todavia, a vida é louca, a máquina não para, o sistema é bruto.
Erlanem Araújo... da cuca para o teclado. rsrsrs Em: 31/03/2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Modo de usar-se.
- por Martha Medeiros*
“Coitada, foi usada por aquele cafajeste”. Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava num guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.
Não costumo ir atrás desta história de “foi usada”. No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter procuração assinada. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.
Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.
Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição - dane-se se aparecer uma gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista sua saúde.
Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas. Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.
E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou “apenas” 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.
Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.
Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.
* Martha Medeiros é jornalista e colunista do Jornal O Globo