É sábado, tarde quente de verão, corpo cansado lançado ao sofá, uma bebida gelada na
mão e uma canção de Caetano na vitrola. Respiro fundo: Ufá! Eu mereço o ócio, o marasmo, a sesta.
Janela aberta, olho sem a intenção de mirar nada que reanime ou que fascine. Avisto! O céu esta especialmente azul, um azul celeste, um azul daqueles que quando criança usamos as canetinhas de hidrocor para expressar o colorido especial da época da inocência. Afinal, há diferença entre os tons da inocência e os da maturidade.
As nuvens que salpicam o céu estão garbosas, mais parecem algodões. O céu...especialmente lindo ! Para completar este espetáculo que me é dado gratuitamente, eis que surge um bando de andorinhas, lindas, unidas, descompromissadas. Elas voam, bailam, e nesta dança desenham o céu. Meus olhos ainda as miram. Elas passam parece que sem destino algum, voam, bailam e somem. Onde pousarão? Para onde vão as aves? Parecem não se preocupar se terão onde pousar.
Esta observação traz-me a reflexão. A vida é assim, vivamos, sem pretensões de saber onde vamos chegar. O que realmente importa é viver de forma intensa, proveitosa, construtiva. Viver é tão lindo, e mais belo ainda é poder parar para apreciar: a canção, o céu, as nuvens , as andorinhas... Experimente, eu recomendo.
Cá estou, música na vitrola, uma bebida gelada, corpo lançado ao sofá e a caneta na mão. Pausa só para expressar o que sinto. O belo é simples, corriqueiro e gratuito, isto é o que sinto. Carp Diem.
Erlanem Araújo
Apenas reações adversas de uma tarde quente de verão.
Sábado Fev 2011
